A comida da minha vó, a farofa, a carne, e o fundo da panela com aquela farinha “dágua”, sem nada, sem temperos, sem ao mínimo técnica, mas amor. Uma pitada que seja, mas valia cada colherada na boca. Enchia, pela farinha, pela saudade, pela ternura.
Minha vó, como tenho saudade de não ter te tido mais aqui, de você conhecer meus filhos, de ver meus netos, não vai ver, mas eles sim. Você é um anjo.
Seu cheiro continua presente na maioria das pessoas, porque será? A saudade que vem corroendo meu coração é só por sentir que você podia ter esperado, Ele poderia ter feito você ficar mais um pouco, alguns anos...

Porque naquele tempo, eu não sabia nada de sentimentos, nada de saudades, nada de você. Sentar, conversar, conhecer e entender sua história. Conversar sobre filhos, sentar com você na cadeira, abraçar você quando visse, chorasse quando você chorasse, dizer um “boa noite”, falar um “bom dia”, chamar um “ Vóóóo” em voz alta, sabendo que você vem com aquele vestido florido azul cor bebe, a pele já não é a mesma, e seus passos já não são como antigamente. Eu sei, mas a caminhada é apenas o começo aqui, eu espero sinceramente ver a Senhora, Minha Avó lá onde os anjos se encontram. E lá você poderá abraçá-los, digo, meus filhos.. e claro, a mim, porque Vó...
Como eu tenho saudade, como eu queria ser um neto, um filho, um anjo.

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