Nos dias que canso, nos dias que viro noite sem dormir. Penso e repenso nos passados constantes de minha vida. Nos dias que fiquei abraçado com você dentro do ônibus, e quando você me beijava na hora do intervalo na escola. Momentos vagos, podem até dizer que sinto falta do passado, mas não. Tudo é magia.
A música toca no meu subconsciente e eu vivo um sonho real. Cada momento, dos mais safados aos mais sinceros. Não que “safadesa” seja o oposto de sinceridade, mas vocês entenderam. Saber que as palavras que saem da minha boca naquela hora não são totalmente as palavras que eu queria dizer é complicado.
Daí as músicas param, a neve acaba e a chuva começa a cair. Você se foi. A lembrança que ficou, que ficava digo-me corrigindo, já não fica. Adorava seu jeito de auto-criticar enquanto falava, enquanto me explicava às matemáticas, os relacionamentos, as banalidades, e as coisas importantes da vida. Mas e as principais?
Você não me disse, não me deu as virtudes. Disso, eu precisei por mim mesmo descobrir. Escutar, escutar e escutar.
Enquanto as brigas aconteciam lá encima, eu estava lá embaixo, sentado e vendo a lua e as estrelas já sabendo o que viria... O que viria? A aurora.
- Será que nunca vou ser feliz? Perguntava-me isso todas as vezes que era obrigado a dormir as quatro da manhã, pra garantir que nada acontecesse, que ninguém apanhasse.
Os meus pensamentos soltos saem como livros mal digitados, e as banalidades e futilidades que não costumava dizer, já existem.
Quero ser eu mesmo, o esperto mas o sincero. O sagaz, mas o lerdão (fingindo ser). Quero ser o apaixonável e o apaixonante. Quero ser alguém.
Eu sentava na sala de estar dos meus amigos e ficava vendo os ponteiros girar, girar, girando...
O tempo está correndo, o piano cintilando, e a música parando...
- Não para, não para!
Eu sei que dá, eu sei que vai.
Já foi.

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